sexta-feira, 18 de junho de 2010

Grifos

Durante a visita a nossa guia chamou-nos à atenção para uma ave que voava junto às montanhas do outro lado do vale.
Essa ave era um grifo!


Os grifos são animais necrófagos, ou seja, comem carne de animais que já foram mortos.



Na zona de Vila Velha de Rodão existe a maior comunidade de grifos de Portugal, daí a facilidade em avistar um, apesar da confusão com o abutre, que também é um pouco comum na área.


Um pouco mais sobre os grifos aqui e aqui.

Os musgos e os líquenes

Em várias rochas observamos que estas estavam cobertas de plantas verdes, ou de outra cor. Estas plantas eram musgos e/ou líquenes.

 Exemplo de musgo.

Os musgos são plantas sem flor, que por sua vez têm o seu órgão reprodutor escondido, ou seja são plantas criptógamas.
Estas plantas nunca crescem muito, pois não possuem vasos transportadores de seiva, o "sangue" das plantas.
Constituição do musgo.

Já os líquenes são seres vivos muito simples formados a partir de fungos. Estes desenvolvem-se em placas de várias cores, sendo encontrados em árvores e rochas.

Exemplo de um líquen.

Ou seja, os líquenes são aquelas manchas verdes, verdes azuladas ou amarelas que vemos nas árvores!

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Os rastos de trilobites...

Andando mais um pouco para a frente a nossa guia mostrou-nos um fóssil de Cruziana.

Agora o que é que a cruziana tem a ver com as trilobites?

Simplesmente tudo!
Uma cruziana é um icnofóssil formado por rastos bilobados com estrias oblíquas.
Estes rastos foram deixados por trilobites que andavam no solo marinho mole. Estas formam-se pois a trilobite estaria a andar lentamente muito provavelmente em busca de alimento ou a alimentar-se.

Nesta imagem podemos observar a nossa guia a exemplificar com molde como as trilobites se moviam e formavam a cruziana.


Mais sobre a cruziana: Clica aqui!

A Pangeia e os seus efeitos na paisagem do Geoparque

Para desvendar o mistério do último post vamos agora recorrer à carta geográfica simplificada fornecida pelo site do Geoparque.

A seta representa o lugar em questão  
(agradecimentos à prof. Rita pela seta a indicar o local)

Observando a imagem podemos ver que no local onde nos encontrávamos as rochas eram datadas como sendo do Ordovícico, ou seja, Paleozóico.


Observando a seguinte imagem podemos observar que a terra não originou de um supercontinente (Pangeia) como toda a gente diz e pensa. A pangeia formou-se através da junção de outros continentes que já haviam existido.


Podemos ver que grande parte do continente nesta altura estava submerso por um oceano, desvendando assim o nosso mistério.



Continuando...

Mais à frente avistamos uma grande dobra do outro lado do vale.

Isto de as ver é muito bonito, mas como é que elas se formam?


É muito simples.
As rochas ao serem submetidas a condições de pressão e temperatura diferentes das que presidiram à sua formação, podem sofrer deformação.
Assim, origina-se uma alteração das rochas pela acção de forças de tensão exercidas sobre o material rochoso, com origem na mobilidade da litosfera e no peso de camadas suprajacentes. De acordo com a Teoria da Tectónica de Placas, a litosfera encontra-se fracturada em placas, podendo estas convergir, divergir ou deslizar entre si estando as rochas que as compõem sujeitas assim, a fortes estados de tensão.
A tensão é a força exercida por unidade de área. Em resposta a um estado de tensão as rochas deformam-se, podendo ocorrer a alteração de volume ou alteração da forma das rochas ou, como é comum, alterar simultaneamente os seus volume e forma.

 Tipos de Dobras

Comparando a dobra que observamos às presentes neste gráfico podemos ver que a nossa dobra é uma dobra antiforma.

A dobra aproximada

Para além de dobras também observamos que várias rochas tinham marcas de outro tipo de deformação.

O quartzito em questão

Neste quartzito encontramos sinais de ondulação.
Ou seja, estas ondulações são parecidas àquelas que vemos na areia da praia após uma onda a atingir. Então isto leva-nos a dizer que estas marcas foram provocadas por um mar que já ali existiu e submergeu a rocha em questão deixando-lhe marcas de ondulação. Isto segundo o principio do actualismo.
Mas isto não deixa de ser estranho, já que nos situava-mo-nos numa zona de elevada altitude.
A explicação aparecerá no próximo post.


A informação sobre as dobras e falhas foi retirada deste blog:http://maisbiogeologia.blogspot.com/



sexta-feira, 11 de junho de 2010

A primeira vista


Assim que chegamos ao vale a primeira coisa que me saltou à vista foram as portas de Almourão.
Entre estas passa o rio Ocreza.
Uma visão interessante é que a montante das portas temos um vale íngreme, estreito e rochoso, enquanto que a jusante das portas já temos um vale muito menos íngreme, mais largo e menos rochoso.


A razão deste fenómeno está no tipo de rochas pelas quais o rio escavou. A montante das portas temos uma zona mais íngreme pois as rochas aí presentes são mais sólidas e resistentes, o quarteito, rocha metamórfica que resulta da compressão de areias siliciosas, enquanto que as que existem a jusante das portas, xisto argiloso, que resulta da compressão de argilas. Ou seja, quanto mais resistentes forem as rochas mais íngreme será o vale.

Exemplo de quartzito


Exemplo de xisto argiloso